Flávio Bolsonaro x Lula: o que os planos de governo dizem sobre gasolina, IPVA, CNH e motoristas de app
Comparamos, tema por tema, o que os planos de governo dos dois candidatos do 2º turno falam (e o que não falam) sobre quem dirige.
O 2º turno, em 25 de outubro de 2026, é entre Flávio Bolsonaro (PL, 47,03% dos votos válidos no 1º turno) e Lula (PT, 45,16%). Para motoristas, os planos se diferenciam sobretudo em combustível: Flávio promete reduzir impostos sobre combustíveis e não cita a Petrobras; Lula defende a política de preços da estatal e sua volta à distribuição. Nenhum dos planos menciona IPVA, que é estadual, nem CNH.
Pontos-chave
- O 2º turno para presidente, em 25/10/2026, é entre Flávio Bolsonaro (PL), com 47,03% dos votos válidos no 1º turno, e Lula (PT), com 45,16%.
- Nenhum dos dois planos de governo fala em IPVA, que é um imposto estadual decidido pelos governadores e Assembleias.
- Flávio promete reduzir impostos sobre combustíveis e não menciona a Petrobras; Lula cita a Petrobras 11 vezes e defende a volta da estatal à distribuição de combustíveis.
- Nenhum dos planos trata de CNH; em comício, Flávio prometeu reduzir a idade mínima da carteira para 16 anos, mudança que depende do Congresso.
- Sobre motoristas de aplicativo, Flávio fala em manter as oportunidades de renda e Lula em criar regras de proteção, remuneração e previdência.
Combustível, impostos, carteira de motorista e trabalho por aplicativo estão entre os temas que mais pesam no bolso de quem dirige. Para ajudar na comparação antes do 2º turno, lemos os planos de governo que Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) registraram no TSE e listamos, tema por tema, o que cada um propõe e o que não aparece no texto. Os candidatos estão em ordem alfabética e o conteúdo não expressa preferência por nenhum deles.
Resumo: o que cada plano diz
| Tema | Flávio Bolsonaro (PL) | Lula (PT) |
|---|---|---|
| Combustíveis | Promete reduzir impostos sobre energia elétrica e combustíveis (p. 31) | Defende a política de preços da Petrobras e promete mitigar a volatilidade internacional (p. 66) |
| Petrobras | Não menciona | Cita 11 vezes; propõe a volta à distribuição de combustíveis (p. 67) |
| IPVA | Não menciona | Não menciona |
| CNH | Não menciona no plano; em comício, prometeu CNH aos 16 anos | Não menciona |
| Carros (IPI, carro popular, elétricos) | Não menciona IPI nem carro popular | IPI só como tributo substituído pela reforma tributária (p. 7) |
| Rodovias e pedágio | R$ 900 bilhões em infraestrutura com PPPs e concessões; não fala em pedágio (p. 50-51) | Manter o ritmo das concessões rodoviárias; não fala em pedágio (p. 53) |
| Motoristas de aplicativo | Manter as oportunidades de renda do trabalho por aplicativos (p. 45) | Regras de proteção, remuneração e previdência para trabalhadores de plataformas (p. 74-77) |
| Multas e fiscalização de trânsito | Não menciona | Não menciona |
Combustível e Petrobras
O plano de Flávio Bolsonaro, chamado "Para o Brasil Vencer o Atraso", promete reduzir impostos sobre energia elétrica e combustíveis e fala em preço menor "na bomba de combustível" (p. 30-31). Também prevê um Programa Nacional de Segurança Energética, com foco em refino e transporte de combustíveis, e incentivo a etanol, biodiesel, biogás e combustíveis sustentáveis de aviação (p. 51-53). O texto não menciona a Petrobras. Em agosto, durante a campanha, o candidato disse que vai rever a mistura de 32% de etanol na gasolina, segundo o site especializado eixos.
O plano de Lula cita a Petrobras 11 vezes. O texto afirma que a política de preços da estatal, somada a subvenções, reduziu a volatilidade dos preços do diesel, da gasolina e do gás de cozinha, e promete mitigar a volatilidade dos preços internacionais (p. 66). Também defende que a Petrobras volte ao segmento de distribuição de combustíveis e amplie o refino (p. 67), além de manter as misturas obrigatórias de etanol na gasolina (E32) e de biodiesel no diesel (B15) e o programa RenovaBio (p. 67-68).
IPVA: por que nenhum dos dois fala do imposto
O IPVA não aparece em nenhum dos planos porque não é decidido pelo presidente. É um imposto estadual: a alíquota, os descontos e o calendário são definidos por lei de cada estado. Uma mudança nacional nas regras do imposto, como a PEC 3/2026, que limita o IPVA a 1%, depende de votação no Congresso e não passa por sanção presidencial. Explicamos isso em detalhes no artigo sobre se o presidente pode mudar o IPVA.
CNH e regras de trânsito
Nenhum dos dois planos de governo trata de carteira de motorista, autoescola ou multas de trânsito. Em comício em Vitória da Conquista (BA), em 17 de setembro, Flávio Bolsonaro prometeu reduzir de 18 para 16 anos a idade mínima para tirar a CNH, segundo o jornal O Tempo. A mudança depende de alteração do Código de Trânsito pelo Congresso. Do lado do governo atual, a CNH sem autoescola obrigatória foi lançada em dezembro de 2025; o plano de Lula não traz proposta nova sobre o tema.
Carros, rodovias e pedágio
Nenhum dos planos fala em redução de IPI para carros, carro popular ou incentivo à compra de carro elétrico de passeio. Flávio menciona veículos elétricos apenas ao tratar de minerais críticos (p. 55) e prevê financiamento de ônibus elétricos e a biocombustíveis por bancos públicos (p. 51). Lula fala em eletrificação progressiva das frotas de transporte coletivo (p. 46) e cita o Brasil como polo de motores flex e híbridos flex (p. 67).
Em infraestrutura, Flávio promete R$ 900 bilhões em quatro anos para rodovias, hidrovias, portos, aeroportos e ferrovias, com parcerias público-privadas e concessões (p. 50-51). Lula promete manter o ritmo das concessões rodoviárias (p. 53). Nenhum dos dois planos menciona tarifas de pedágio.
Motoristas de aplicativo
O plano de Flávio promete a manutenção das oportunidades de renda e de trabalho trazidas pelos aplicativos e critica o projeto de regulamentação apresentado pelo governo atual (p. 45). O plano de Lula propõe um sistema de proteção para trabalhadores de plataformas, com regras de remuneração, direitos e transparência dos algoritmos (p. 74-75), a inclusão da previdência na regulação (p. 77) e cita as linhas de crédito criadas para motoristas de aplicativo comprarem carros e motos (p. 76).
E nos estados?
Em 2026 há 2º turno para governador em seis estados e no Distrito Federal: Acre, Amazonas, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Tocantins e DF. Entre eles, o tema IPVA ganhou destaque no Rio de Janeiro, onde os dois candidatos prometem zerar o imposto de motos de até 180 cilindradas. Os novos governadores tomam posse em 6 de janeiro de 2027.
Seja qual for o resultado, as regras do IPVA 2027, do licenciamento e das multas já em vigor continuam valendo. A consulta gratuita do ConsultarPlacas mostra a situação do veículo e a FIPE atual pela placa.
Fontes oficiais
- Plano de governo de Flávio Bolsonaro registrado no TSE (cópia do Poder360)
- Plano de governo de Lula registrado no TSE (cópia do Poder360)
- Agência Senado: Flávio Bolsonaro e Lula disputam o segundo turno
- Poder360: plano de Flávio não menciona Petrobras e Lula cita estatal 11 vezes
- eixos: Flávio diz que vai rever 32% de etanol na gasolina
- O Tempo: Flávio promete redução da idade para tirar carteira de motorista
- Agência Brasil: seis estados e o DF terão segundo turno para governador
Perguntas frequentes
Quem está no 2º turno para presidente em 2026?
Flávio Bolsonaro (PL), com 47,03% dos votos válidos no 1º turno, e Lula (PT), com 45,16%. A votação é no domingo, 25 de outubro de 2026.
Algum candidato promete baixar o IPVA?
Não. Nenhum dos planos de governo para presidente menciona o IPVA, que é um imposto estadual. Mudanças no IPVA dependem de lei de cada estado ou de emenda à Constituição votada pelo Congresso.
O que os candidatos propõem para o preço da gasolina?
Flávio Bolsonaro promete reduzir impostos sobre combustíveis e disse em campanha que vai rever a mistura de 32% de etanol na gasolina. Lula defende a política de preços da Petrobras para reduzir a volatilidade e a volta da estatal à distribuição de combustíveis.
A CNH aos 16 anos vai valer?
É uma promessa de campanha de Flávio Bolsonaro e não está no plano de governo registrado. Para valer, o Congresso precisaria alterar o Código de Trânsito Brasileiro, que hoje exige 18 anos.
O que muda para motoristas de aplicativo?
Flávio promete manter as oportunidades de renda dos aplicativos e critica a regulamentação proposta pelo governo atual. Lula propõe regras de proteção, remuneração, transparência dos algoritmos e previdência para trabalhadores de plataformas.
