Como transferir um veículo: passo a passo
Do fechamento do negócio ao CRLV-e no seu nome: cada etapa da transferência, os documentos, o prazo de 30 dias e o que muda com a transferência digital.

Para transferir um veículo: o vendedor gera a ATPV-e com os dados do comprador; os dois assinam, pelo app CNH do Brasil ou com firma reconhecida; o comprador faz a vistoria em empresa credenciada, quita IPVA, multas e taxas e pede a transferência no DETRAN. O DETRAN emite o CRLV-e no nome do comprador. O prazo é de 30 dias a partir da venda.
Pontos-chave
- A transferência começa com a ATPV-e gerada pelo vendedor e assinada pelas duas partes.
- O comprador tem 30 dias para concluir; atrasar é infração média, com multa de R$ 130,16, 4 pontos e remoção do veículo (CTB, arts. 123, §1º, e 233).
- O novo documento só sai com vistoria aprovada e IPVA, taxas e multas vencidas quitados (CTB, arts. 124, VIII, e 128).
- A Resolução Contran nº 1.027/2026 criou três modalidades: convencional, eletrônica e eletrônica custodiada.
- A taxa varia por estado; a troca para a placa Mercosul só é obrigatória se o veículo mudar de município ou estado.
Saber como transferir um veículo evita multa, carro no pátio e dor de cabeça com o vendedor. O antigo DUT com firma reconhecida deu lugar à ATPV-e, e em 2026 as regras foram reunidas numa nova resolução do Contran que abre caminho para a transferência feita toda pelo celular. As etapas básicas, porém, continuam as mesmas.
Antes de fechar: consulte a placa e os débitos
Sem débitos quitados não há transferência: o DETRAN só expede o novo documento com IPVA, taxas e multas vencidas pagos, independentemente de quem cometeu as infrações (CTB, arts. 124, VIII, e 128). Consulte débitos no DETRAN e na Sefaz, verifique gravame e restrição judicial na SENATRAN e confira se modelo, ano e final do chassi batem com o documento. O que estiver em aberto precisa ser pago antes ou abatido do preço.
Transferência de veículo passo a passo
- 1. Vendedor gera a ATPV-e: informa CPF e endereço do comprador, valor, data da venda e quilometragem.
- 2. Vendedor e comprador assinam: pelo app CNH do Brasil, com biometria facial, ou na ATPV-e impressa, com firma reconhecida em cartório, conforme o estado.
- 3. Comprador faz a vistoria de identificação veicular numa empresa credenciada pelo DETRAN.
- 4. Comprador quita os débitos pendentes e paga a taxa de transferência do DETRAN.
- 5. Comprador pede a transferência no site, no app ou no posto do DETRAN, com os documentos.
- 6. DETRAN emite o CRLV-e no nome do comprador, que aparece no app CNH do Brasil. Se o carro mudou de município, faça a troca de placa.
Quanto tempo leva depende do caminho escolhido. Em São Paulo, o Poupatempo informa até 3 dias úteis para concluir o pedido convencional, depois de entregue a documentação, e cerca de 5 minutos na transferência digital (TDV) quando o carro atende aos requisitos. Some a isso o tempo para agendar a vistoria e para a baixa dos pagamentos no sistema, e comece logo depois da assinatura para não chegar perto dos 30 dias.
Documentos para transferência de veículo
- ATPV-e assinada por vendedor e comprador, ou o CRV antigo com o verso preenchido e firmas reconhecidas
- Documento de identidade com foto e CPF do comprador
- Comprovante de endereço do comprador
- Laudo de vistoria de empresa credenciada; em São Paulo, ele vale por 60 dias
- Comprovantes de quitação de débitos, se o sistema ainda não tiver dado baixa
- Procuração, se um representante fizer o pedido; para empresas, CNPJ e documentos de quem assina
Cada DETRAN define a lista final. Em São Paulo, quem assinou a venda pelo app CNH do Brasil não precisa entregar a ATPV-e impressa.
Transferência digital: convencional, eletrônica e custodiada
A Resolução Contran nº 1.027/2026, em vigor desde 18 de agosto de 2026, dividiu a transferência em três modalidades e deixou a escolha para o proprietário que inicia o processo (art. 36). Em todas, a vistoria continua obrigatória.
| Como funciona | Quem executa | |
|---|---|---|
| Convencional | Alguma etapa é presencial, em papel ou com firma reconhecida em cartório | DETRAN do estado |
| Eletrônica | Todas as etapas, menos a vistoria, são digitais, com assinatura eletrônica avançada ou qualificada | DETRAN do estado, SENATRAN ou plataformas homologadas |
| Eletrônica custodiada | Pagamento do carro, quitação de débitos e taxas e transferência acontecem juntos, com o dinheiro retido até a conclusão | SENATRAN, direto ou por plataformas homologadas |
Alguns estados já oferecem a versão digital. Em São Paulo, a Transferência Digital de Veículos (TDV) do app Poupatempo Digital conclui o processo online quando o carro não tem restrição, os débitos estão pagos e há laudo de vistoria aprovado; vendedor e comprador precisam de conta gov.br prata ou ouro. O Ministério dos Transportes prevê a transferência eletrônica pelo app CNH do Brasil para novembro de 2026.
Prazo para transferir o veículo e o que acontece se atrasar
O comprador tem 30 dias, contados da venda, para concluir a transferência (CTB, art. 123, §1º). Passado o prazo, deixar de registrar o veículo é infração média, com multa de R$ 130,16, 4 pontos na CNH e remoção do veículo (CTB, art. 233). O vendedor também tem obrigação: se o comprador não transferir, ele deve comunicar a venda ao DETRAN em até 60 dias, ou responde junto pelas multas até a comunicação (CTB, art. 134). Na venda assinada eletronicamente, a comunicação de venda é gerada automaticamente.
Quanto custa transferir um veículo
O custo muda de estado para estado e soma a taxa do DETRAN, a vistoria e, quando houver, o cartório e as placas. Em São Paulo, a taxa de transferência é de R$ 295,83 com o licenciamento do ano já feito e de R$ 469,91 com o licenciamento pendente, segundo o Poupatempo. A vistoria é paga direto à empresa credenciada. O cartório só entra quando a ATPV-e é impressa. A placa Mercosul só é obrigatória se o carro mudar de município ou estado; transferência de dono na mesma cidade não exige a troca.
Transferência com mudança de cidade ou estado
Se o comprador mora em outro município, o novo registro é feito no DETRAN do domicílio dele, e a mudança de município também obriga a expedição de novo CRV (CTB, art. 123, II). Nesse caso, a troca para a placa Mercosul é obrigatória. Na mudança para outro estado, cada Sefaz tem regras próprias para o IPVA do ano em curso; confira na Sefaz de origem e na de destino antes de pedir o novo registro.
Casos especiais: financiado, herança e leilão
- Carro financiado: com gravame ativo, a transferência depende da quitação do contrato e da baixa pelo banco, ou de uma negociação formal com o banco.
- Herança: a transferência pede o formal de partilha judicial ou a escritura de partilha feita em cartório.
- Leilão de veículo recolhido a pátio, apreendido ou confiscado: o arrematante não precisa quitar os débitos anteriores, que são cobrados do antigo dono (CTB, art. 124, parágrafo único).
Fontes oficiais
- gov.br: Transferência digital de veículo (ATPV-e)
- Resolução Contran nº 1.027/2026: registro, licenciamento e transferência de veículos
- Código de Trânsito Brasileiro (Lei nº 9.503/1997): arts. 123, 124, 128, 134 e 233
- Poupatempo SP: Transferir propriedade de veículo registrado em São Paulo
- Poupatempo SP: Transferência digital de veículos (TDV)
- Ministério dos Transportes: transferência eletrônica no app CNH do Brasil
Perguntas frequentes
O RENAVAM muda quando eu compro um carro usado?
O RENAVAM não muda na transferência. Ele é o número fixo do veículo no cadastro nacional e continua o mesmo depois da troca de dono, da troca de placa ou da mudança de estado. O que muda é o proprietário associado a ele e o CRLV-e, que passa a sair no nome do comprador.
Qual o prazo para transferir um veículo comprado?
O comprador tem 30 dias, contados da venda, para concluir a transferência no DETRAN (CTB, art. 123, §1º). Depois disso, é infração média, com multa de R$ 130,16, 4 pontos na CNH e remoção do veículo (CTB, art. 233). Faça a vistoria e quite os débitos logo nos primeiros dias para não perder o prazo.
Ainda precisa reconhecer firma em cartório para transferir?
Na venda digital pelo app CNH do Brasil e na transferência digital de estados como São Paulo, não. Quando a ATPV-e é impressa, ou quando o carro ainda tem o CRV antigo em papel, as assinaturas de vendedor e comprador precisam de firma reconhecida por autenticidade em cartório.
Posso transferir o veículo com débito em aberto?
A transferência não é concluída com débito em aberto: o DETRAN só expede o novo documento com IPVA, taxas e multas vencidas quitados (CTB, arts. 124, VIII, e 128). O caminho é o vendedor quitar antes ou abater o valor do preço para o comprador pagar. Multa ainda em recurso não trava a transferência (CTB, art. 284, §3º).
Quem paga a transferência, comprador ou vendedor?
O pedido de transferência é obrigação do comprador, que também paga a taxa do DETRAN, a vistoria e a eventual troca de placa, salvo acordo diferente escrito no contrato. Os débitos anteriores à venda, como IPVA atrasado e multas, são do vendedor, mas precisam estar quitados para a transferência sair.
Preciso trocar para a placa Mercosul na transferência?
A troca para a placa Mercosul só é obrigatória quando o veículo muda de município ou de estado, quando a placa está danificada ou foi furtada, ou quando muda de categoria. Transferência de dono dentro da mesma cidade não obriga a troca, e o carro pode continuar com a placa cinza.



